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Ecko, chefe da maior milícia do Rio, morre após operação da Polícia Civil

Miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko Foto: Reprodução

Chefe da maior milícia do Rio, Wellington da Silva Braga, o Ecko, morreu neste sábado, dia 12, após ser baleado em operação da Polícia Civil do Rio. O criminoso, um dos mais procurados do país, foi encontrado numa casa na comunidade das Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste, local considerado seu reduto, onde estavam presentes sua mulher, três filhos e um cachorro.

Segundo informações da polícia, o miliciano foi baleado durante confronto e chegou a ser levado para o Hospital municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos dois ferimentos na região tórax. Ele foi alvejado em um corredor que dava acesso ao quarto do casal

Wellington da Silva Braga, o Ecko, assumiu o comando da maior milícia do Rio, após a morte de seu irmão, Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, ocorrida em abril de 2017, durante uma ação da Polícia Civil em Paciência, na Zona Oeste. Sua ascensão provocou um racha na quadrilha, dando início a uma guerra pelo controle no grupo, que resultou nas mortes de pelo menos dez pessoas em dois meses. A escolha do novo chefe, usuário de drogas e apontado como um homem violento, desagradou os integrantes do bando, na ocasião com forte atuação em Campo Grande, Paciência e Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, além de Seropédica e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O miliciano era um dos criminosos mais procurados do país e morreu neste sábado, após ser preso em ação da polícia.

Enquanto o antecessor, cujo reinado durou três anos, era um chefe espalhafatoso, que deixava ser bastante filmado e fotografado, frequentava bailes, tinha um time de futebol amador e ia aos campeonatos, onde era homenageado na beira do campo, Ecko tinha um perfil mais dicreto. Mais reservado, não costumava aparecer em público e, até pouco tempo, a polícia só tinha acesso a duas fotos do criminoso: a 3×4 tirada para sua identidade e uma em que aparece abraçado a uma mulher, durante uma festa.

Carlinhos Três Pontes, irmão mais velho de Ecko, foi fundamental para que a milícia expandisse suas atividades para áreas dominadas pelo tráfico. Após sua morte, a ascensão do novo chefe, colocou em desuso o antigo nome Liga da Justiça que identificava o grupo miliciano que atuava na Zona Oeste e seus próprios integrantes passaram a ser conhecidos por Bonde do Ecko. Ecko não esperou ordens dos chefões presos para assumir a milícia e começou rapidamente a trilhar sua ascensão. As resistências ao seu nome foram minadas pouco a pouco. Da mesma maneira que o irmão havia feito anos antes, o miliciano foi eliminando possíveis concorrentes.

Alguns depoimentos prestados em diferentes investigações revelam mais detalhes sobre a personalidade de Ecko. Uma garota de programa gaúcha contou à polícia que veio para o Rio exclusivamente para prestar serviços sexuais para o chefão e seus comparsas. Segundo a mulher, Ecko contratava agenciadores para promover orgias com diversas mulheres trazidas de outros estados. Elas se hospedam num apart-hotel na Barra da Tijuca e só saem para os encontros — que podiam custar até R$ 2 mil por noite, dependendo da quantidade de homens com quem cada mulher teria de se relacionar. As festas aconteciam em sítios em áreas afastadas de Santa Cruz ou Itaguaí.

Ecko nunca tinha sido preso e seu sigilo telefônico nunca havia sido quebrado. Embora fosse réu em nove processos criminais, circulava pela cidade escoltado por seguranças, frequentava casas em bairros nobres e dialogava com policiais, traficantes e pistoleiros. Ele mandava no maior consórcio criminoso do Rio: sua milícia, antes restrita à Zona Oeste, está presente em 20 bairros da capital e outros seis municípios da Baixada Fluminense e da Costa Verde.

Numa comparação com a criminalidade advinda do tráfico de drogas, a milícia de Ecko, composta majoritariamente de ex-membros do tráfico e não mais de policiais, é hoje maior que cada uma das três maiores facções criminosas do Rio de Janeiro, pelo critério de áreas dominadas.

A aproximação entre Ecko e Adriano da Nóbrega teve consequências importantes na geopolítica do crime no Rio. A cumplicidade entre os dois tornou possível uma inédita aliança entre diferentes grupos criminosos, que acabou ampliando o avanço das milícias pelo estado. Se antes os grupos paramilitares das zonas Oeste e Norte do Rio agiam de forma independente e descoordenada, depois da aproximação entre Ecko e Adriano passaram a ser sócios, atacando favelas dominadas pelo tráfico e, juntos, defendendo seus redutos de ataques rivais.

“Ecko e Adriano formaram um corredor entre as zonas Norte e Oeste todo dominado pela milícia”, resumiu um policial federal que investigou a conexão entre as quadrilhas.

A expansão da milícia da Zona Oeste pela Baixada se tornou possível graças a uma série de pactos fechados entre Ecko e paramilitares locais, que tinham dificuldade de se estabelecer em razão das investidas do tráfico. Os acordos, na prática, criaram uma grande coalizão chefiada por Ecko. Com essa união, os milicianos da Baixada — muitos deles, policiais — se beneficiaram obtendo reforço de armas e homens, o que significa mais proteção para expulsar traficantes ou facções inimigas de seus territórios. Já Ecko, ao passo que fornecia mais aparato aos novos aliados, recebia em troca uma parte do que as quadrilhas locais arrecadavam com suas atividades criminosas — exploração de gás, TV a cabo, transporte alternativo (vans e mototáxis) e cobrança de “taxas de segurança”.

Em 2020, entretanto, esse projeto expansionista chocou-se com o processo eleitoral. Domingos Barbosa Cabral, o Domingão, candidato a vereador de Nova Iguaçu pelo DEM, foi executado a tiros num bar, no bairro Cabuçu, por vários homens encapuzados no início da noite de 10 de outubro, um sábado. em junho do ano anterior, o sargento da Polícia Militar André Barbosa Cabral, irmão de Domingão e chefe da milícia que domina os bairros Valverde, Palhada e Cabuçu, fechou um acordo com Ecko para expulsar traficantes que comandavam o crime no local. O domínio dos irmãos sobre a região datava da expansão dos grupos de extermínio pela Baixada na década de 1990. O sargento Cabral chegou a ser preso, em 2009, por integrar um desses esquadrões da morte. Com o advento das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), a partir de 2008, Nova Iguaçu passou a ser destino de traficantes que fugiram da capital com a ocupação de suas favelas de origem. Com a migração, os irmãos perderam grande parte de seus antigos domínios, como as favelas Grão-Pará e Dom Bosco.

Com o pacto entre Ecko e Cabral selado, mais de 100 homens arregimentados pela milícia na Zona Oeste e em cinco municípios da Baixada invadiram seis favelas de Nova Iguaçu durante a madrugada. A partir daí, os irmãos voltaram a dar as cartas, dividindo os lucros com Ecko. Por um ano, o acordo entre as milícias foi cumprido à risca. Até que, no último dia 2 de julho, o sargento Cabral foi preso numa operação da Polícia Civil. E, da cadeia, propôs a Ecko diminuir o percentual de repasses em razão da queda de “arrecadação”. O chefão não aceitou a proposta e ambos romperam, com Cabral ainda preso. Domingão foi morto três meses após o racha. A polícia enxerga no crime as digitais de Ecko, que temia o aumento de poder dos novos desafetos caso o candidato a vereador se elegesse.

Uma mensagens num celular apreendido durante uma operação na Praça Seca, em fevereiro de 2018, a polícia descobriu um diálogo entre dois milicianos, um deles descreveu uma reunião convocada por Ecko com a presença de seus subordinados. À época, às vésperas do assassinato da vereadora Marielle Franco, o chefão estava preocupado com a repercussão de ações de pistoleiros e com possíveis consequências

Fonte: extra.globo.com

Postado: Pelo repórter Michel Dantas do site caririverdade.com

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