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“Os únicos carros trabalhando são as ambulâncias e as viaturas”, diz cearense em nevasca na Espanha

Auxiliar de enfermagem vivendo há 11 anos em Madri, Sandra Coelho afirma nunca ter visto algo parecido na capital espanhola Um dia após uma histórica nevasca, as autoridades travam uma corrida contra o relógio, neste domingo (10), para limpar Madri da neve Foto: AFP

Carros, ruas, casas: tudo coberto pela neve.

Deslocar-se, ainda que com bastante dificuldade, é possível apenas a pé ou utilizando carros com tração nas quatro rodas. A cena inclui ainda pessoas presas em seus veículos ou sem conseguir deixar o local de trabalho há dias. Mesmo morando há 11 anos em Madri, o cenário é inédito para a cearense Sandra Coelho, 51.

A auxiliar de enfermagem relata os desafios impostos pela tempestade “Filomena”, a pior em pelo menos 50 anos no país europeu, que provocou uma nevasca histórica na capital espanhola no último sábado (9) e fortes chuvas em outras regiões da Espanha. A tempestade também deixou três mortos.

“A dificuldade maior agora é seguir andando, seguir a vida, com tanta neve nas ruas”, diz.

Sandra trabalha em uma casa de repouso para idosos na província de Valdemoro e conta que só teve menos problemas com a nevasca porque mora próximo ao trabalho, mas várias colegas não contam com a mesma sorte.

“Aqui, no meu trabalho, das minhas companheiras que entraram sexta-feira (8) para trabalhar à tarde, tem três que ainda não conseguiram voltar para suas casas, e vão dormir hoje (10) de novo no trabalho. O aeroporto está completamente fechado, os trens e os ônibus não estão funcionando. Nada, nada”, conta ela.

Embora os maiores transtornos se imponham a quem precisa percorrer distâncias maiores (centenas de pessoas chegaram a ficar presas durante a noite inteira em seus carros), a caminhada à Residencia Nuestra Señora Del Rosario, onde trabalha, que costuma levar cinco minutos, levou neste domingo (10) mais que o dobro do tempo.

Sandra vive há 11 anos em Madrid Foto: Arquivo pessoal

“Horrível. Não se pode andar. Até porque as máquinas que limpam neve ainda não começaram a trabalhar. As máquinas estão todas trabalhando primeiro para dar acesso aos hospitais, porque estão todos sem acesso. Os únicos carros que estão trabalhando são as ambulâncias e as viaturas de polícia, que são quatro por quatro”, relata.

Há mais de uma década em Madri, Sandra afirma que, pela primeira vez, a neve foi um problema em sua rotina, e já de forma extrema.

“Faz 50 anos que não caía uma nevasca dessa. Todos os anos, desde que estou aqui, caem umas gotinhas de neve. Sempre fico muito feliz quando caem duas gotinhas de neve, mas para cair outra nevasca como essa vai ser muito difícil”, reforça.

Acessos restritos

Além de viabilizar o acesso aos hospitais, ainda mais priorizados por conta da pandemia de Covid-19, o poder público tem corrido contra o tempo para retirar das principais vias da cidade a neve que caiu abundantemente desde sexta-feira. Foto: AFP

Segundo informações da agência de notícias AFP, objetivo é minimizar os danos nos próximos dias, que devem ser marcados por uma onda de frio que deverá congelar a neve. A Agência Meteorológica Espanhola (AEMET) projeta temperaturas mínimas inferiores a – 10° C até quinta-feira.  

“Nosso objetivo é aproveitar cada minuto antes da segunda-feira, quando haverá a queda da temperatura”, disse o prefeito José Luis Martínez-Almeida, que alertou: “Até o próximo fim de semana será muito difícil deslocar-se”.

Em Madri, o exército foi acionado para retirar a neve das pistas do Aeroporto Barajas, que permaneceu fechado durante este domingo. Hoje, o tráfego seguiu suspenso ou restrito em mais de 700 estradas. As viagens de trem com destino à capital da Espanha também estão canceladas até a tarde deste domingo.

Fonte: Diário do nordeste

Postado: Pelo repórter Michel Dantas do site caririverdade.com

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