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O que se sabe até agora sobre o coronavírus, que já contaminou mais de 4,5 mil

Até agora, 106 mortes foram confirmadas. No Brasil, Ministério admite primeiro caso suspeito de contaminação

Cobra da espécie ‘Bungarus multicinctus’, comum na China é apontada como possível vetor do vírus
OMS/Divilgação

Com mais de 100 mortes confirmadas e milhares de pessoas infectadas na China e em outros 14 países, o coronavírus está causando pânico mundial. No Brasil, o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmou nesta terça-feira (28), o primeiro caso suspeito da doença. A paciente se enquadra nas definições da Organização Mundial da Saúde (OMS), pois esteve recentemente na cidade de Wuhan, na China. Se confirmado, o caso da brasileira será o primeiro do novo coronavírus na América do Sul.

Luiz Henrique Mandetta recomendou que brasileiros só viajem à China em caso de necessidade.

“A gente sabe que é um vírus, um vírus novo. O equilíbrio desse vírus com o organismo das pessoas não está bem-esclarecido. Ele guarda letalidade. Então, não é recomendável que a pessoa se exponha a uma situação dessa e depois retorne ao Brasil e exponha mais pessoas.”

O que são
Os coronavírus (CoV) são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos e em animais. Algumas variações do coronavírus podem causar síndromes respiratórias mais graves, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, sigla em inglês) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).
Conhecida tecnicamente como 2019-nCoV, ainda não está claro como ocorreu a mutação que permitiu o surgimento do novo vírus. Também não há estatística do tipo e nem da taxa de letalidade. Além disso, os cientistas ainda não estudaram se o 2019-nCoV gera uma resposta imune definitiva ou se uma pessoa pode ser infectada mais de uma vez.

Desconhecida da comunidade médica, a nova variação do coronavirus já causou a morte de 106 pessoas, infectou mais 4,5 mil pessoas na China e em outros 14 países.

Origem
O 2019-nCoV ataca gravemente o sistema respiratório e se espalhou a partir da região de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta para a doença em 31 de dezembro de 2019, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan. Em 9 de janeiro, um homem de 61 anos morreu na cidade chinesa. O paciente foi hospitalizado com dificuldades de respiração e pneumonia grave, e morreu após uma parada cardíaca.

Como a epidemia estava atingindo pessoas que tiveram alguma associação a um mercado em Wuhan, especialistas começaram a considerar que a transmissão dessa variação tenha ocorrido pelo contato de humanos com carne de animais silvestres. Uma espécie de cobra chinesa (Bungarus multicinctus) utilizada no preparo de sopas na região pode ter sido o agente transmissor.

Casos no Brasil
No Brasil, o Ministério da Saúde descartou cinco casos suspeitos. Segundo a pasta, os casos “não se enquadram na definição de caso suspeito da Organização Mundial da Saúde (OMS)”. Nesta nesta terça-feira (28) a classificação de risco do Brasil passou para o nível 2, que significa “perigo iminente”, após caso suspeito de coronavírus em paciente em Minas Gerais. Até segunda-feira (27) o País estava em nível 1 de alerta.

O ministério investiga um caso suspeito de coronavírus em paciente de Minas. A paciente é uma estudante de 22 anos que teve um histórico de viagem para Wuhan, na China. Ela chegou em território brasileiro no dia 24 de janeiro. Segundo o ministro, todas as 14 pessoas que tiveram contato com o estudante estão sendo “monitoradas”.

De acordo com a pasta, ela relata não ter ido ao mercado de peixes da cidade, não ter tido contato com nenhuma pessoa doente e não ter procurado nenhum serviço de saúde enquanto estava na cidade. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, a jovem passa bem.

Países atingidos
Além da China, onde houve o maior número de infectados e de vítimas, infecções pelo 2019-nCoV foram identificadas em 16 países de quatro continentes: Estados Unidos, Canadá, França, Arábia Saudita, Nepal, Sri Lanka, Tailândia, Malásia, Singapura, Vietnã, Macau, Hong Kong, Taiwan, Japão, Coreia do sul e Austrália.

Na China, a doença foi registrada em todas as províncias do país, menos na região do Tibete, mas a maior parte dos casos se concentra na província central de Hubei. Wuhan está sob quarentena. As outras cidades afetadas pela medida são Ezhou, Huanggang, Chibi, Xiantao, Zhijiang, Qianjiang, Huangshi, Xianning e Yichang.

Transmissão
A transmissão de pessoa para pessoa do vírus foi “provada”. O que ainda precisa ser esclarecido, de acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, é a capacidade de transmissão. “O vírus é da mesma família dos coronavírus, mas, por ser novo, não se sabe quão contagioso ele é. Sabemos só que as pessoas foram até o mercado da China. Mas qual é o nível de contágio? Pode ser só via aérea, secreções?”, questiona.

Entre as recomendações para a prevenção de transmissão do vírus os especialistas apontam cuidados básicos, como manter as mãos sempre limpas, lavando-as com frequência; cobrir a boca e o nariz ao espirrar; e cozinhar bem carnes e ovos.

Sintomas
Foram identificados sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar. Em casos mais graves, há registro de pneumonia, insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.

Vacina
Ainda não há vacina disponível. A Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) – grupo internacional para o controle de doenças – anunciou um fundo para apoiar três programas de desenvolvimento de vacinas contra o 2019-nCoV, o novo coronavírus. A Rússia também informou que busca uma vacina para o vírus. Um grupo de cientistas americanos anunciou que deve começar a testar as vacinas em três meses.

Transmissão entre países
Desde segunda-feira (27), a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a classificar como “elevado” o risco internacional de contaminação pelo novo coronavírus.

Fonte: Diário do Nordeste
Postado: pelo repórter Michel Dantas do site caririverdade .com

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