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Lama Asfáltica: MPF apresenta nova denúncia contra André Puccinelli e mais 40 pessoas

Até o momento, danos alcançam a marca de R$ 534 milhões

O ex-governador do Mato Grosso do Sul André Puccinelli, Edson Giroto, João Amorim, André Luiz Cance, André Puccinelli Junior e outras 36 pessoas integram a 8ª denúncia do Ministério Público Federal (MPF) no bojo da operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Receita Federal. Na denúncia, apresentada à Justiça Federal em 23 de agosto, são abordadas fraudes e desvios de dinheiro público na execução de obras da rodovia MS-040 e do Aquário do Pantanal, além da aquisição de materiais paradidáticos da Gráfica e Editora Alvorada.ESTUDIO FOTO 09

Somente em danos materiais, a denúncia considera um prejuízo de R$ 308,8 milhões. Segundo o MPF, as provas reunidas pela operação Lama Asfáltica não deixam dúvidas sobre a liderança de André Puccinelli nas atividades do grupo criminoso. Embora o ex-governador apareça no comando da organização ao lado de Giroto e João Amorim, é nítida a ascendência dele nas decisões e vantagens indevidas acumuladas, até mesmo em função do cargo público então ocupado e da influência política dele decorrente.

Também em 23 de agosto, em função do grande número de acusados e com o objetivo de conferir mais rapidez à tramitação, o MPF pediu o desmembramento da ação penal da Lama Asfáltica em quatro partes. A primeira trataria do pagamento de propina pela JBS a pedido de André Puccinelli e da evasão de divisas com o pagamento de propinas no exterior a Ivanildo da Cunha Miranda. A segunda trataria das fraudes verificadas nas obras da MS-040 e do Aquário do Pantanal; a terceira, das fraudes verificadas na contratação da Gráfica Alvorada e a quarta, do crime de organização criminosa.WhatsApp Image 2018-07-21 at 20.23.28

As primeiras audiências da operação Lama Asfáltica, referentes à primeira denúncia do MPF, estão agendadas para 3, 6 e 10 de setembro, conforme designado pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, onde tramita o processo.

Ao final desta matéria, encontra-se uma tabela explicativa com as oito denúncias apresentadas pelo MPF até o momento e seus respectivos links.

Rodovia MS-040 – Em 2013, o governo do estado de Mato Grosso do Sul firmou dois financiamentos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no total de R$ 1 bilhão, para executar obras do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Regional do Estado de Mato Grosso do Sul (PADR/MS), incluindo implementação e pavimentação da rodovia MS-040. Dos 10 lotes em que as obras da rodovia estadual foram divididas, dois, no valor de R$ 45,4 milhões, são objetos da denúncia do MPF.

As fraudes constatadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) começam com o direcionamento dos dois processos licitatórios para contratação da empresa Proteco Engenharia, passam pelo pagamento de serviços pagos e não executados ou executados com qualidade inferior à contratada, e chegam à apresentação de documentos falsos quando da prestação de contas ao BNDES. Entre os serviços pagos e não executados estão a construção de bueiros e de canteiro de obras. Até a compra de cimento asfáltico foi feita de uma empresa localizada a uma distância menor do que a informada na prestação de contas, fator que reduziria o valor repassado para este fim.

Entre 2013 e 2014, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) apresentou ao BNDES uma série de documentos ideologicamente falsos, para conseguir tanto a liberação das parcelas seguintes do financiamento para a realização das obras dos lotes 1 e 2 da MS-040 quanto a aprovação da prestação de contas. São boletins de medição com valores não correspondentes aos serviços efetivamente realizados. A Polícia Federal constatou superfaturamento total de R$ 10,2 milhões nas obras relativas aos lotes 1 e 2 da rodovia MS-040, tratando-se de valores pagos indevidamente à Proteco. Os peritos da PF concluíram que existem serviços pagos em quantidade ou qualidade inferior ao efetivamente executado nas obras examinadas.2

Aquário do Pantanal – Quanto à construção do Aquário do Pantanal, as ilegalidades começam na concorrência que culminou na contratação da empresa Egelte Engenharia, no valor de R$ 84,7 milhões. A CGU constatou graves restrições ao caráter competitivo da licitação, evidenciadas pela inclusão de diversas cláusulas abusivas no edital. O contrato foi firmado entre o governo do Estado, por meio da Agesul, e a Egelte, em 17 de março de 2011, no valor de R$ 84,7 milhões. O prazo para execução era de 900 dias (11/10/2013). Foram feitos cinco termos aditivos ao contrato, quatro de prorrogação de prazo (estendendo o prazo de entrega da obra para 16/12/2015) e um objetivando o acréscimo de R$ 21 milhões (24,89%) em serviços (totalizando R$ 105,8 milhões). Além disso, o contrato também teve o valor reajustado pelo INCC seis vezes, alcançando R$ 123,4 milhões.

Em março de 2014, a Agesul atendeu solicitação da Egelte autorizando a subcontratação da Proteco para execução “parcial” das obras do Aquário, sob o argumento da necessidade de garantir o cumprimento do cronograma da obra. O contrato entre a Egelte e a Proteco foi firmado no valor de R$ 36,8 milhões. No entanto, embora o contrato, com apoio da Agesul, tenha sido travestido de uma subcontratação, ele representou de fato transferência (ilegal) de todos os direitos e deveres da Egelte para a Proteco.

Restou comprovado, por meio de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, que Proteco e Agesul pressionaram a Egelte a “passar” as obras do Aquário para a Proteco. João Amorim, dono da Proteco, e Egídio Vilani Comin, dono da Egelte, chegaram a uma espécie de “acordo” para que a Egelte saísse das obras do Aquário “numa boa”. A “subcontratação” da Proteco se deu dez dias depois da publicação do segundo termo aditivo do contrato do aquário, no valor de R$ 21 milhões.

Do início da execução do contrato até a paralisação das obras ocorreram 11 reprogramações de serviços, que negativaram itens constantes da planilha orçamentária contratada e incluíram serviços extracontratuais não licitados. Levantamento da CGU comprovou que, dos R$ 105,8 milhões previstos no contrato, somente R$ 39 milhões correspondem a itens ou serviços contratados originalmente na licitação. A maior parte, R$ 66,7 milhões (63,08%), corresponde a itens ou serviços incluídos por meio de reprogramações aprovadas pela Agesul, sem licitação (compra direta). Ao negativar itens licitados e incluir itens não licitados nessas proporções, a Agesul acabou por descaracterizar sobremaneira as especificações inicialmente contratadas. Nesse cenário, é impossível saber se o licitante vencedor seria o mesmo para as condições apresentadas após as reprogramações autorizadas pela Agesul. Além do fato de as compras diretas, sem licitação, não terem propostas com os descontos próprios de uma competição entre licitantes.1

As dez primeiras reprogramações de serviços foram incluídas durante o período em que a Egelte era a contratada; e a 11ª reprogramação, no período em que a Proteco já havia assumido as obras do Aquário do Pantanal. De acordo com a CGU, a Agesul pagou indevidamente à Proteco, por serviços não executados, o montante de R$ 1,4 milhão.

Gráfica Alvorada – Em 2014, especialmente nos meses de novembro e dezembro, o governo do estado formalizou cinco processos com o objetivo de adquirir obras literárias para apoio didático aos alunos da rede estadual de ensino. Em todos os procedimentos, que tramitaram de maneira incomumente célere, houve a contratação direta (sem licitação) da Gráfica e Editora Alvorada, totalizando o pagamento de R$ 16,1 milhões à empresa.

A CGU fez análise técnica dos valores pagos pelo governo do estado à Gráfica Alvorada no período compreendido entre maio de 2010 e dezembro de 2014, evidenciando favorecimentos indevidos e fraudulentos, com o consequente desvio de recursos públicos. Por meio do Portal da Transparência, é possível verificar absoluta desproporcionalidade dos gastos com a Gráfica Alvorada em relação a outros fornecedores do mesmo ramo.

A participação da Gráfica Alvorada no fornecimento de materiais gráficos ao governo de Mato Grosso do Sul saiu de zero, em 2010, para 90,85% em 2014. Os gastos do governo estadual com aquisições de materiais impressos de distribuição gratuita entre 2010 e 2014 totalizaram R$ 55 milhões sendo que, somente em dezembro de 2014, último mês do mandato do ex-governador André Puccinelli, foram pagos R$ 11 milhões (20% do total) à empresa. Os gastos se mostram incompatíveis com a série histórica dos anos anteriores, principalmente se comparados com os gastos do mês de dezembro dos demais exercícios.

Sobre a inexigibilidade de licitação nos cinco processos de 2014, o governo do estado, por meio da Secretaria de Educação (SED), argumentou à época dos fatos que somente a Gráfica Alvorada dispunha das obras escolhidas previamente para aquisição. Mas a própria CGU identificou, em site mantido pelo Ministério da Educação, pelo menos sete livros recomendados que versam sobre os mesmos temas abordados nos livros adquiridos pela SED (bullying e drogas). Mas os processos listavam especificamente obras do acervo exclusivo da Gráfica Alvorada. Não há qualquer análise comparativa de um conjunto de obras semelhantes relacionadas às temáticas desejadas.

Em fevereiro de 2016, a CGU fez uma visita ao almoxarifado central da SED. Na oportunidade, constatou a existência de 47.378 unidades dos livros adquiridos da Gráfica Alvorada em 2014, comprovando a aquisição de um quantitativo desnecessário de materiais paradidáticos. No mês seguinte, a CGU visitou cinco escolas estaduais do município de Campo Grande e constatou que boa parte dos livros entregues não foi usada e distribuída aos alunos. Estes elementos, segundo o MPF, reforçam ainda mais o caráter fraudulento das contratações diretas da Gráfica Alvorada realizadas em 2014.

Interceptações telefônicas feitas pela PF demonstram que as contratações fraudulentas da Gráfica Alvorada tiveram como contrapartida o pagamento de propina ao então governador André Puccinelli. Os pagamentos eram intermediados por André Luiz Cance, ex-secretário adjunto de Fazenda do governo estadual e homem de confiança do ex-governador.6

Até o momento, 57 pessoas foram denunciadas na Operação Lama Asfáltica. Dessas, sete encontram-se em prisão preventiva (André Puccinelli, André Puccinelli Júnior, João Paulo Calves, Edson Giroto, João Alberto Krampe Amorim dos Santos, Flávio Henrique Garcia Scrocchio e Wilson Roberto Mariano de Oliveira) e quatro tiveram as suas prisões preventivas convertidas em prisões domiciliares (Elza Cristina Araújo dos Santos, Rachel Rosana de Jesus Portela Giroto, Ana Paula Amorim Dolzan e Mariane Mariano de Oliveira Dornelas). André Puccinelli, André Puccinelli Junior e João Paulo Calves foram presos em 20 de julho a pedido do MPF após a apresentação de novas provas pelos investigadores da CGU, PF e RFB. Os demais denunciados tiveram a prisão preventiva restabelecida também recentemente, após decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no Habeas Corpus 135.027-MS. Tal decisão veio a ser reafirmada na Reclamação 30.313-MS, impetrada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), depois de uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região que havia contrariado a ordem do STF.

Segue quadro-resumo das 8 denúncias apresentadas pelo MPF à Justiça Federal com base nas investigações da Operação Lama Asfáltica. Para verificar a participação específica de cada pessoa denunciada (e para qual fato, ou fatos), clique no link correspondente a cada uma das denúncias.

Denúncia

Autos na Justiça Federal

Síntese dos fatos denunciados Pessoas denunciadas
8ª denúncia

0000046-79.2018.403.6000

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(a) Fraudes em contratações e obras da Rodovia MS-040.

(b) Fraudes contra o BNDES.

(c) Fraudes em contratações e obras do Aquário do Pantanal.

(d) Fraudes em contratações da Gráfica e Editora Alvorada Ltda.

(e) Crime de organização criminosa: complementação à Ação Penal n. 0008855-92.2017.403.6000.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANDRÉ PUCCINELLI EDSON GIROTO
WILSON CABRAL TAVARES MARIA WILMA CASANOVA ROSA
HÉLIO YUDI KOMIYAMA EDMIR FONSECA RODRIGUES
LUIZ CÂNDIDO ESCOBAR MAURO DE FIGUEIREDO
EDSON CALVES LARISSA AZAMBUJA FERREIRA
JOSÉ MÁRCIO MESQUITA NADINE CHAIA
MARIA FERNNANDA DE LOPES E SANTOS FLÁVIO MIYAHIRA
JOÃO ALBERTO KRAMPE AMORIM DOS SANTOS ELZA CRISTINA ARAÚJO SANTOS
RÔMULO TADEU MENOSSI LUIZ MÁRIO MENDES PENTEADO
DOMINGOS SÁVIO DE SOUZA MARIÚBA LUIZ JORGE BOSSAY
MARI EMÍLIA BRANCHER HÉLIO LOUREIRO BATTILANI
EGÍDIO VILANI COMIN MARIA NILENI BADECA DA COSTA
CHEILA CRISTINA VENDRAMI JODASCIL DA SILVA LOPES
ROBERVAL ANGELO FURTADO MÁRCIA FABIANA DA SILVA
HILDNEY ALVES DE OLIVEIRA CARLA DE BRITTO RIBEIRO CARVALHO
DAVI DE OLIVEIRA SANTOS MELISSA APARECIDA MATINELLI GABAN
ANDRÉ LUIZ CANCE MICHERD JAFAR JÚNIOR
ROSSANA PAROSCHI JAFAR ANDRÉ PUCCINELLI JÚNIOR
JOÃO PAULO CALVES JODASCIL GONÇALVES LOPES
JOÃO ROBERTO BAIRD ANTÔNIO CELSO CORTEZ
IVANILDO DA CUNHA MIRANDA (colaborador – Lei 12.850/2013)
7ª denúncia

0000046-79.2018.403.6000

(a) Crimes de corrupção passiva decorrentesde vantagens ilícitas pagas pela JBS entre os anos de 2007 a 2015 em função de benefícios fiscais.

(b) Crimes de lavagem de dinheiro relativosa essas vantagens ilícitas.

(c) Crime de evasão de divisas.

ANDRÉ PUCCINELLI ANDRÉ LUIZ CANCE
JOÃO ALBERTO KRAMPE AMORIM DOS SANTOS ELZA CRISTINA ARAÚJO DOS SANTOS
ANDRÉ PUCCINELLI JÚNIOR JOÃO PAULO CALVES
JODASCIL GONÇALVES LOPES MICHERD JAFAR JÚNIOR
JOÃO ROBERTO BAIRD ANTÔNIO CELSO CORTEZ
JOÃO MAURÍCIO CANCE IVANILDO DA CUNHA MIRANDA

(colaborador – Lei 12.850/2013)

6ª denúncia

0008855-92.2017.403.6000

(a) Fraudes em contratações e obras de saneamento integrado na Av. Lúdio Coelho, entre a Av. Duque de Caxias e a R. Antônio Bandeira.(b) Fraudes em contratações eobras da Rodovia MS-430.

(c) Fraudes contra o BNDES.

(d) Crimes de corrupção passiva.

(e) Crime de organização criminosa.

ANDRÉ PUCCINELLI EDSON GIROTO
MARIA WILMA CASANOVA ROSA HÉLIO YUDI KOMIYAMA
EDMIR FONSECA RODRIGUES LUIZ CÂNDIDO ESCOBAR
FAUSTO CARNEIRO DA COSTA FILHO WILSON ROBERTO MARIANO DE OLIVEIRA
MARCOS TADEU ENCISO PUGA MARA REGINA BERTAGNOLLI DE GONÇALVES
JOÃO ALBERTO KRAMPE AMORIM DOS SANTOS ELZA CRISTINA ARAÚJO DOS SANTOS
RÔMULO TADEU MENOSSI
5ª denúncia

0008284-24.2017.403.6000

(a) Crime de corrupção passiva decorrente do recebimento de aeronave por Edson Giroto.

(b) Crime de lavagem de dinheiro.

EDSON GIROTO JOÃO ALBERTO KRAMPE AMORIM DOS SANTOS
ELZA CRISTINA ARAÚJO DOS SANTOS FLÁVIO HENRIQUE GARCIA SCROCCHIO
GERSON MAURO MARTINS
4ª denúncia

0008107-60.2017.403.6000

Crime de lavagem de dinheiro mediante emprego de recursos de origem ilícita na construção de edifício residencial. EDSON GIROTO
RACHEL ROSANA DE JESUS PORTELA GIROTO
DENIZE MONTEIRO VIEIRA COELHO
3ª denúncia

0007459-17.2016.403.6000

Crime de lavagem de dinheiro mediante emprego de recursos de origem ilícita na aquisição de fazenda. JOÃO ALBERTO KRAMPE AMORIM DOS SANTOS ANA PAULA AMORIM DOLZAN
ANA LÚCIA AMORIM RENATA AMORIM AGNOLETTO
ELZA CRISTINA ARAÚJO DOS SANTOS
2ª denúncia

0007458-32.2016.403.6000

Crime de lavagem de dinheiro mediante emprego de recursos de origem ilícita na aquisição de fazenda. WILSON ROBERTO MARIANO DE OLIVEIRA EDSON GIROTO
JOÃO AFIF JORGE MARIANE MARIANO DE OLIVEIRA DORNELAS
MARIA HELENA MIRANDA DE OLIVEIRA JOÃO PEDRO FIGUEIRÓ DORNELAS
1ª denúncia

0007457-47.2016.403.6000

Crime de lavagem de dinheiro mediante emprego de recursos de origem ilícita na aquisição de fazenda. EDSON GIROTO
FLÁVIO HENRIQUE GARCIA SCROCCHIO
RACHEL ROSANA DE JESUS PORTELA GIROTO

Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul
Telefone: (67) 3312-7265/7283
E-mail: prms-ascom@mpf.mp.br
www.mpf.mp.br
Twitter: @MPF_MS

Postado: Pelo repórter Michel Dantas do site caririverdade.com

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